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sábado, 29 de setembro de 2007

Bagunça.

Ela entrou naquela sala, outrora branca, e pensou: a sala está roxa e ainda assim tudo está bagunçado. Antigamente, quando era branca, tudo era uma bagunça, mas isso era normal. Estava acostumada com a bagunça branca. Mas bagunça roxa?! Definitivamente era estranho, e não pretendia se acostumar a isso, não queria, não gostava de bagunças, roxa então! Tentava desesperadamente arrumar as coisas, mas caía um papel aqui, um lápis ali, fotos do outro lado. As coisas não ficavam em seus lugares. Ela tentava todos os tipos de cola, fita adesiva, tudo que prendesse as coisas em seus devidos lugares. Nada adiantava. E agora, o que fazer? Bagunça roxa, definitivamente não! À medida que ela tentava colar, parecia que as coisas ficavam mais revoltadas e se negavam a ficar onde ela tentava colocar. Seria uma revolta contra ela? Parecia. Então, ela decidia deixar tudo como estava e saía.
Quando chegava na rua, tudo estava bagunçado também, na mesma proporção que a sua sala. Ela se perguntava: "será que se eu conseguisse arrumar as coisas na minha sala, as coisas aqui fora seriam arrumadas também?". Não conseguia obter nenhuma resposta, até porque já tentara arrumar a sala e era um trabalho em vão. E se ela ficasse parada esperando tudo se consertar sozinho, será que isto aconteceria? Não sabia. Ela não sabia de nada. Até o que sabia estava bagunçado. E se ela começasse por sua cabeça? As coisas bagunçavam sua cabeça. Iam e voltavam. Rodavam. Não permaneciam, saíam. Ela tinha que correr atrás das coisas e trazê-las de volta. Essas coisas não voltavam sozinhas, e ela era insistente. Mas as coisas não queriam mesmo voltar. "Que coisas chatas", pensava! Parecia que ela corria tanto atrás das coisas que as coisas não sabiam mais voltar sozinhas. Mas ela ia se cansando e cansando e cansando...


"You got a hole in your heart
I'll find a four leaf clover..."

Posted by eu? @ 15:16
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

...

"E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo... que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo
Tanto..."

Posted by eu? @ 13:24
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Paixão roxa.


E é quando eu penso em você que brotam espaços roxos em meu pensamento. Espaços que se juntam e formam a sua imagem. Não sei se é porque você gosta de roxo, ou se é porque eu gosto, ou ambas as coisas. A sua imagem fica flutuando em meu pensamento, e é tão bom. Como aquela vez que estávamos na barquinha, vendo o pôr-do-sol, e você tirava fotos minhas. Ou como quando eu seguro as suas mãos e elas não suam porque você detesta mãos suadas, e as minhas suam escondidas. Ou como quando você sorri com os olhos e é a coisa mais linda do mundo. Ou como quando você passa o dia comigo. Ou como quando a gente assiste a um filme. Ou como quando você me abraça e é o melhor abraço do mundo, porque é o mais forte e intenso e eu consigo sentir você por dentro, mesmo com meus olhos de ressaca eu sinto você com os olhos, boca, corpo, tudo. E você ainda me parece tão frágil, como a primeira vez que nos beijamos, depois de tanta hesitação e racionalização (da minha parte). E dá taaanta vontade de cuidar que eu penso que a minha vida inteira não seria suficiente para isso. E eu sinto TANTA vontade de estar perto que mesmo que você passasse todos os dias de sua vida comigo, não seria o suficiente. E eu me sinto tão egoísta querendo que você passe... =/

Posted by eu? @ 09:59
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Eu me prendo tanto a detalhes, que às vezes parece que vou ficar louca...
Merda de detalhes idiotas, viu?!

Posted by eu? @ 23:54
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Transposição alterada...

Tem um amigo meu que diz que eu não gosto de nada que todo mundo gosta, que gosto do diferente... será que ele tá certo? Não, eu não sei a resposta. Às vezes eu me acho igual a todo mundo e em outras, totalmente diferente. Gosto do diferente sim, mas nem sempre. Por exemplo, quase todo mundo tem um blog e até eu mesma já o tive. E aqui estou, novamente tentando transpor meus pensamentos confusos para algum lugar.
Acho que aprendi a terminar as coisas que começo. Algumas coisas têm que terminar.
Eu já sei o que acontece comigo. E você me ajudou com isso também. O que eu penso continua mudando, mas não tão constantemente como quando eu era uma perdida no mundo. Agora eu me encontrei em você [que clichê].
Eu, definitivamente, discordo de mim mesma, e nós brigamos muito por isso. Continuo achando que é coisa de signo, viu? Mesmo que você não acredite nisso... mas também, depois daquela vez que brigamos por causa de uma merda de um horóscopo, nem sei se continuo acreditando. Mas tem coisas que eu tenho certeza, e uma delas é que eu amo você.

Posted by eu? @ 18:22
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A historinha...




"Um dia Paulo apareceu na casa dela, tomando-a de supresa. Ele não era mais o mesmo, seu cabelo, que antes era de um negro tão intenso que beirava o azul, agora estava quase todo grisalho, mas o jeito de fumar era o mesmo, aquele cigarro no canto esquerdo da boca era inconfundível. Era ele.
Ela também não era mais a mesma. Agora se vestia de maneira recatada e não usava mais os cabelos soltos. Contida. Mas o batom forte nos lábios também era um vestígio de uma outra época. Vermelho intenso.
Desde que Paulo a tinha trocado pela outra, ela tinha ficado assim, e agora ele aparecia inesperadamente, como se nada tivesse acontecido. E aconteceu? Aquela expressão cínica no rosto dele era demais para ela. Sentiu uma repulsa incontrolável, nada havia restado além disso. Mandou-o embora e trancou todas as portas.
Paulo nunca mais apareceu, e ela nunca mais saiu de casa, mas passou a vestir-se como antes e se olhava no espelho todos os dias. Vestido florido, cabelo solto, batom vermelho. Ela estava satisfeita."

Posted by eu? @ 17:42
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Intrínseco.

... e é tudo tão diferente agora. É como quando você é criança e tudo que acontece é uma grande coisa, sabe? Se você fura o dedo, é a morte chegando. Se ele não te liga, você está fadada à solidão. O problema é que você não é mais criança, e sabe disso. Sendo assim, tudo que você aumenta, acha que não está aumentando porque quando você era criança que aumentava, e você não é mais criança. Então você pensa: eu não estou aumentando, é real. E se é real, fere. E fere tanto. Tudo me fere. Pontos. Vírgulas. Apelidos. Ironia. Você fere e não sente. E continua ferindo porque não sente. Eu sinto. Eu sinto tudo. E dói. E não me lembro de quando era criança doer tanto. Acho que tô meio bipolar. Às vezes estou feliz. Em outras triste. E você também, mas geograficamente. Às vezes num pólo próximo. Em outras bem distante. E as duas coisas estão relacionadas.
Nós.
Você e eu.

Posted by eu? @ 17:10
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Que é pra você não esquecer nunca...

Sabe quando você pára e pensa que tudo que você passou em sua vida foi um degrau pra chegar onde você está agora? Epifania. É assim que me sinto quando penso em minha vida e, "pleonasticamente", penso em você. Você, que agora é a minha vida e dispensa qualquer explicação, é auto-explicável. E ninguém precisa entender, é algo particular, pessoal, intransferível, inexplicável, idiossincrático, único. É algo novo e nosso, só nosso. E, como você costuma dizer, temos uma história linda. Mesmo com todas as besteiras que já fizemos, com todas as discussões com e/ou sem motivos, com os momentos de chatice e os ciúmes incalculáveis.
Acho que mesmo que quiséssemos, nunca conseguiríamos nos separar, e soube isso desde quando vi o mundo congelar enquanto você dançava, coisa que só vim entender o porquê assistindo a um filme, anos depois.
É predestinação, e eu nem sei se acredito nisso, como não sabia que acreditava em tanta coisa que você me ensinou até sem querer. E desde que te vi dançar, você está por trás de tudo que aconteceu em minha vida. E quando eu falo tudo, é tudo mesmo, desde todos os relacionamentos posteriores até a minha escolha profissional. Tive que aprender a controlar ciúmes idiotas, porque já basta um ciumento na relação, e aprendi. Tive que aprender a perdoar erros imperdoáveis. Tive que aprender a perceber o que realmente interessa. Tive que aprender que vingança é ciclo vicioso. Tive que aprender a suportar momentos de poRe extremo. Tive que aprender a cuidar. Tive que aprender a perceber as entrelinhas. Tive que aprender a abdicar de coisas em favor de outras que realmente valem a pena. Tive que aprender a discriminar as contingências. Tive que aprender a sentir. Tive que aprender a expressar sentimentos, talvez essa tenha sido a tarefa mais complexa. Tudo foi preparação, aprendizagem, destino(?).
Desculpa por todo o tempo que passei pra aprender tudo isso.
Eu estou preparada agora.

Amo você.

Posted by eu? @ 16:56
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